


SÃO JOÃO DA BARRA - RJ
CARACTERÍSTICAS LOCAIS
Localizado na margem direita da foz deltaica do rio Paraíba do Sul, o município de São João da Barra está inteiramente situado sobre a restinga e sobre o aqüífero Barreiras Recente, que fornece água pura e límpida para localidades como Barcelos, Grussaí, Açu e Cajueiro. Possui bolsões de mata atlântica de transição para a vegetação de restinga.
A cidade fica na parte mais
baixa da planície goitacá, a uma altitude de seis metros acima do nível do mar.

COORDENADAS DA SEDE
Latitude Sul 21º 38’13”
Longitude W.Gr. 41º 03’03”
ÁREA TERRITORIAL
431,9 km2, dividida em três distritos:
Sede, Barcelos e Pipeiras.

LIMITES
Norte – São Francisco do
Itabapoana;
Oeste e Sul – Campos dos Goytacazes;
Leste – Oceano Atlântico.
POPULAÇÃO
27.578 habitantes (Censo de
2000)
DATAS DE FUNDAÇÃO
Em 1630, o pescador Lourenço do Espírito Santo, acompanhado de mais 30 moradores de Cabo Frio, funda o povoado de São João Batista da Barra.
Em 6 de junho de 1676 o povoado foi elevado a vila com o nome de Vila de São João da Praia, conquistando a independência político-administrativa.
Em 17 de junho de 1850 a vila
foi elevada à categoria de cidade, com o nome atual.

ACESSOS
Fica a 330 km do Rio de
Janeiro e a 38 km da cidade de Campos dos Goytacazes, pela BR-101 e depois pela
BR-356.
Vindo do Espírito Santo – seguir também pela BR-101 até Campos e daí pela
BR-356. Estradas municipais levam às praias e às localidades do interior.
CLIMA
ameno, com temperaturas médias
de 21º C no inverno e de 25 a 30º C no verão. Baixa pluviosidade. Vento
predominante – nordeste. Tem 32 quilômetros de
praias. A água do mar na praia de Atafona tem cor barrenta por ser ali que
desemboca o rio Paraíba do Sul, trazendo sedimentos e pela alta concentração de
iodo, de teor terapêutico. A areia da praia apresenta faixas de coloração preta,
com brilhos metálicos. São as ocorrências de areia monazítica, de radiatividade
leve e de ação medicinal. É uma praia morena.
PRINCIPAIS ATIVIDADES
ECONÔMICAS
Turismo, agropecuária, olericultura e fruticultura nativa, castanhas de caju cozidas, pesca, indústrias de bebidas, de vassouras, e de fios têxteis, olarias, farinha de mesa; usina de açúcar e doces batidos caseiros – banacaxi, goiabada, caju com castanha, araçá pero, abóbora com coco e outras.
Artesanato em palha e conchas, bordados. Grande parte da arrecadação municipal, quase 70%, vem do repasse dos royalties do petróleo (poço de Roncador).
PONTOS TURÍSTICOS

Lagoa de Grussaí

Lagoa de Iquipari

Mangue

Jeep Club de São João Da Barra

Centro Cultural Narcisa Amália

FÓRUM

RUA DAS PALMEIRAS
IGREJA

RUÍNAS

Praia e Lagoa Iquipari

Praia de Grussaí
HISTÓRIA SIMPLIFICADA DE SÃO
JOÃO DA BARRA
Foi a partir de 1630, com a chegada de um grupo de pescadores de Cabo Frio, que
se iniciou efetivamente a povoação do Norte Fluminense.
Com a morte da mulher do pescador Lourenço do Espírito Santo, este se retira do pontal da barra – onde hoje se localiza Atafona – indo fixar residência mais para o interior num pequeno elevado de areia junto ao rio Paraíba do Sul.
Após construir sua pequena
cabana de palha Lourenço logo foi seguido por outros pescadores, dando eles
início a construção de uma pequena ermida em louvor a São João Batista.
Durante muitos anos o pequeno povoado pouco se modificou, sendo que já em 1644
era a capela de São João confirmada pelo prelado D. Antônio de Maris
Loureiro, época em que se delineavam os contornos do pequeno arraial contando
com algumas casas, todas de palha, situação que vai perdurar até a elevação
do povoado a categoria de Vila em 1676.
Segundo o historiador Fernando José Martins.
Ainda segundo Martins, a
população da recém criada Vila era de aproximadamente 30 pessoas que ele
relaciona a sua obra.
Dedicando-se à pesca, a algum transporte de mercadorias, criação de gado vacum e
cavalar e ao início da cultura de cana, foi que viveu durante o século XVII a
gente dessa terra.
Por essa época, foram abertas
a Rua da Boa Vista, a única que existiu durante muitos anos e a Rua Direita,
inicialmente chamada, de Rua do Caminho Grande e que servia para os moradores da
barra para virem às missas e negócios na vila.
Como o alvorecer do século XVIII, tomou importância o transporte fluvial entre a
vila de Campos e vizinhança com o porto da Bahia, para onde seguia toda a
produção açucareira, via São João da Barra.
Isto fez crescer a entrada e
saída de embarcações em nosso porto, com isso iniciando um pequeno
desenvolvimento urbanístico na vila, que passa a contar com um maior contingente
populacional.
Neste período é intensa a vinda de portugueses para a vila, e consequentemente
um maior número de casas. Neste século houve a abertura de novas ruas como a Rua
do Rosário aberta em 1774, a do Passos em 1778, com o nome de Rua São Benedito,
a do Sacramento em 1792 e a da Banca, que formava a parte de frete da vila em
relação à barra.
São dessa época as melhorias
na Igreja Matriz e na Casa da Câmara e Cadeia Pública que foram reformadas sendo
construídas de pedra e cal com suas respectivas cobertura de telhas
confeccionadas na única olaria existente.
Com o crescimento da vila, surgem novas devoções religiosas e dessa forma o
século XVIII vê nascerem às irmandades do Santíssimo Sacramento e Senhor
dos Passos, anterior a 1730, época em que se inicia a construção de sua capela
anexa à igreja matriz, e a de Nossa senhora do Rosário em 12 de outubro de
1727, também logo erguendo junto à matriz uma capela para a mãe de Deus.
Data de século o início da
devoção de São Benedito que teve sua irmandade criada e posteriormente em 1816
iniciadas as obras de sua igreja.
Era por essa época muito pobre a vila de São João Batista da Barra, fato que se
pode verificar em documentos transcritos por Fernando J. Martins, e em 1750 o
Senado da Câmara determina através de decreto, que sejam providenciadas alfaias
decentes para a acomodação das autoridades que visitassem a vila por ocasião das
correições.
Também em 08/12/1751 outro
decreto determina que não mais se construam no perímetro urbano casas cobertas
de palha, o que denota um melhoramento urbanístico na vila.
Contudo era ainda a vila muito pobre, conclusão tirada pela descrição do Capitão
Manoel Martins do Couto Reys que em 1785 assim descreve a vila:
“He muito
pobre e pouco populosa: está situada tão bem em huma planície sobre áreas na
margem do Paraíba. Distante de sua barra, pouco mais de meya legoa. Contém
dentro em si 111 fogos unicamentea tem dos que se manifestão nos seus lugares
exteriores.”
É ainda Couto Reys quem nos informa que neste mesmo período havia neste número de fogos 31 casa cobertas de palha e 80 de telha das quais cinco são ocupadas com pequenas lojas e dois com tabernas.
Dessa forma vai andando a vila
que conhecerá progresso e notoriedade com início do século XIX.
O alvorecer do século XIX trouxe para o Brasil a Família Real e com ela todo um
entourage palaciano que acomodada no Rio de Janeiro necessitava de
gêneros diversos.
São João da Barra, que já
vinha se dedicando ao comércio dessa região com aquela cidade passou a suprir as
necessidades da recém instalada Corte.
Se o comércio se intensificou, melhoraram as condições financeiras dos
habitantes que, por conseguinte também melhoraram seus costumes e hábitos.
Aos poucos a vila foi conquistando melhorias; novas irmandades foram criadas,
como a de São Benedito, São Miguel e Almas, e a Ordem Terceira de Nossa Senhora
da Conceição e Boa Morte e São Pedro, além das devoções de Nossa Senhora das
Dores e Nossa Senhora da Penha, na Barra , foram abertas escolas públicas e
particulares, prédios vistosos e elegantemente construídos, os Jovens das
principais famílias mandados para Universidades, sociedades musicais e
dramáticas inauguradas.
De forma que visitando a Vila
em 1847 o Imperador D. Pedro II não teve dúvidas que o progresso visto era sinal
que a vila merecia ser elevada a cidade, o que fez através de decreto datado em
17 de Junho de 1850.
Econômica e socialmente, São João da Barra alcançou seu apogeu neste período o
que atesta a descrição do Almanaque Laemmeth
“... A cidade edificada à
margem direita do Rio Paraíba (...) tem 804 casas entre as quais 46 sobrados de
um ou dois andares; destas casas são habitadas 758, dividindo-se em 19 ruas, 39
becos e travessas e seis praças. Tem 4.790 habitantes, dos quais 2.623 do sexo
masculino e 2.167 do sexo feminino. As ruas e praças são apenas calçadas nos
passeios junto às casas, mas o terreno é todo arenoso e enxuto...”.
Foi neste século que inauguraram, com o auxilio do imperador, a Santa Casa de
Misericórdia; a Usina Barcelos, propriedade do barão de mesmo nome; duas
Companhias de Navegação; uma Companhia Agrícola; uma Companhia de Cabotagem; a
Companhia da Valla Navegável do sertão de Cassimbas; a Sociedade
Beneficente dos Artistas, que construiu em 1902 o Teatro São João; a Sociedade
Marítima Beneficente; a Sociedade Musical e Carnavalesca Lira de Ouro e a
Banda Musical União dos Operários, sucessora da extinta Lira de Ferro, fundada
anteriormente e a loja Maçônica Capitular Fidelidade e Virtude, datada de 24
de março de 1839.
O progresso que alcançou a cidade por essa época fez instalarem-se os
vice-consulados de Portugal, Espanha, Baviera e Paises Baixos, que cuidavam dos
interesses desses países em seu comércio com São João da Barra.
As Escolas aumentaram em número e qualidade, hotéis foram abertos, bilhares,
padarias, alfaiatarias, barbearias, ferrarias, funilarias, tornearias passaram a
funcionar movimentando o comércio da cidade que chegou a contar com Tipografias,
e Relojoeiros, Poleeeiros, Açougues; 60 Lojas de Tecidos, mais de 50 de Secos e
Molhados, Seleiros, Agência de Aluguel de Carros, Agências de Serviços Fúnebres,
Despachadores de Embarcações, Boticários, Sapatarias, Estaleiros
de Construção Navais, Fogueterias, Marcenarias, Olarias, Fábricas de Charutos,
Cigarros e Licores, Lojas de Maçames e Tintas, Fotógrafos e Retratistas,
Bilhares, Oficinas de Calafates e Trapiches.
A navegação de cabotagem, os navios a velas e a vapor movimentavam o Porto
Sanjoanense que se desenvolvia paralelamente ao crescimento da cidade que
começou a receber Portugueses de diversos pontos da metrópole.
É neste, que chegaram aqui os
Nunes Teixeiras, os Ribeiros de Seixas, Os Lobato, Cintra, Melo, Lisboa, Pinto
da Costa, os Moreira, os Carrazedo, Souza e Neves, Tinoco, Gomes Crespo, Souza
Valle, Costa Araújo, Mattos Alecrim, Pavão, Maia da Penha, Motta Ferraz, Macedo,
Ferreira de Azevedo, Costa Cobra, Rebola, Lopes, ou seja, os principais troncos
das famílias que hoje povoam a cidade.
E foi dessa forma que o progresso se instalou durante o século XIX dando-lhe
prestígio e notoriedade.
Mas o iníciar do século XX,
mais precisamente em 1918,
após a venda da Companhia de Navegação, e com a abertura da navegação de
cabotagem a navios estrangeiros, fez todo esse progresso desmantela-se qual
Castelo de Areia.
Do progresso, São João da Barra conheceu a ruína que só não foi total pelo surgimento da Indústria de Bebidas Joaquim Thomaz de Aquino Filho, sustentáculo da economia sanjoanense por todo este século que termina.
E só agora com advento do
Petróleo, o desenvolvimento retorna a Cidade de São João da Barra, 150 anos após
a criação da Cidade.
VALE A PENA CONHECER...
Antigo Grupo Escolar
Bela edificação tipo
“chalet” ao gosto romântico, típico do último quartel do séc. XIX, com elementos
decorativos que denotam apuro formal e construtivo. O
prédio tem construção anterior à implantação do colégio, servindo inicialmente
de residência da família do rico armador de navios Manoel José Nunes Teixeira, o
Coronel Teixeira, e sua mulher D. Mariana Teixeira.
Em 12 de dezembro de 1922 é inaugurado o Grupo Escolar Alberto Torres pelo
presidente do Estado, Raul de Moraes Veiga, funcionando com este uso por quase
50 anos. Desativado em 1970 devido à precariedade da conservação e
incompatibilidade com as necessidades de espaço.
O edifício é construído de um único corpo de dois pavimentos com planta
retangular.
Uma escada lateral de cantaria
e guarda corpo de serralheria, serve de acesso ao segundo andar.
Sua fachada principal é vazada por oito janelas de vergas retas, guarnecidas por
esquadrias de vidro e veneziana.
O pavimento superior possui
quadro janelas
rasgadas com sacada corrida em serralheria.
No tímpano, um óculo central
coroa a frontaria.
Igreja Matriz de São
João Batista
A mais antiga igreja de
São João da Barra, erigida em louvor do padroeiro São João batista em 1630.
Era uma pequena capela de
madeira e localizava-se no
mesmo local onde hoje existe o belo templo da Matriz.
Sendo de construção precária, poucos anos após erigida, já esse pequeno
santuário achava-se completamente inservível, o que levou à sua reconstrução em
1679 e à sua reforma em 1713.
Uma tragédia ocorreria na madrugada de 15 de julho de 1882, um pavoroso incêndio
destruiu quase totalmente o magnífico templo.
Sua reconstrução em alvenaria motivou as autoridades e a população.
Neste incêndio só permaneceram de pé as duas capelas laterais.
A torre sineira e de
construção posterior ao resto de templo.
Construída com estilo Barroco Rococó é uma das poucas igrejas brasileiras
cruciforme, ou seja tem a nave em formato de cruz.
Antiga Casa da Câmara e
Cadeia Pública
Construída em terreno
adquirido de D. Cecília Andrade, a Casa da Câmara e Cadeia Pública foi edificada
pelo construtor Antônio Fernandes da Silva em 1709,
posteriormente reformada em 1736, sendo o presidente da Câmara nesta época o
corregedor José Pinto Ribeiro.
A construção não se caracteriza pelo cuidado com a forma, mas apenas com a
resistência sendo suas paredes de grossura invulgar e as janelas fechadas por
grades tramadas em rede.
Igreja de Nossa Senhora
da Conceição E Boa Morte
Em antiguidade é o
segundo templo da cidade, construído para abrigar a Ordem Terceira de N. Senhora
da Conceição e Boa Morte após a chegada nesta
cidade da linda imagem de N.S. da Boa Morte trazida da Bahia pelo marinheiro
Antônio Alberto de Vasconcelos em 1802.
Sua construção em pedra e cal deveu-se à benemerência do Comendador Joaquim
Thomaz de Farias, traficante de escravos que está enterrado na Igreja da Boa
Morte; assim como D. Francisco Bento de Jesus Faria, que com gastos pessoais de
cerca de cinco contos de réis edificou-a com grossas paredes.
Fórum Municipal
O prédio que hoje
abriga o fórum de S. J. da Barra foi mandado construir no século XIX para
residência do rico traficante de escravos o comendador André
Gonçalves da Graça e sua esposa D. Clarinda Dias de Jesus.
Por ser o prédio mais elegante e confortável da época, serviu para hospedar D.
Pedro e sua comitiva quando da visita destes à nossa cidade em 1847.
Residência do Coronel
Francisco Pinto
Elegante edifício em
único corpo de dois andares com planta retangular, construído para residência do
armador de navios o Coronel Francisco Pinto da Silva
na década de 1860.
Em elegante estilo “chalet” o prédio tem no andar superior três janelas rasgadas
guarnecidas por sacada de serralheria típicos do período.
No andar térreo uma porta
lateral dá acesso a um corredor com escada interna para o segundo piso. Também
um portão duplo dá acesso a garagem.
Em frente não rio Paraíba este edifício faz frente a ruína do antigo trapiche,
formando um interesse conjunto.
FONTE: SITE DA PREFEITURA MUNICIPAL DE SÃO JOÃO DA BARRA
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